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COMPARAÇÃO DA INFECÇÃO
POR PROTOZOÁRIOS EM CHINCHILA(Chinchilla lanigera)
DE UM CRIAÇÃO COMERCIAL DO
MUNICÍPIO DE VIAMÃO-RS BRASIL,
E DE CHINCHILAS NO SEU HABITAT NATURAL CHILE-... .
OLIVEIRA, Rogério G..1; OLIVEIRA, Rafael G.2; OLIVEIRA, Ricardo G. 3 ; FIALHO, Cristina. G.4; ARAUJO, Flávio A.P.5
RESUMO
A Chinchilla lanigera é um roedor proveniente do Chile e sua criação, com fins comerciais, iniciou nos Estados Unidos. Desde a década de 80 há uma Reserva, no Chile, que protege a Chinchila lanigera. Foram colhidas amostras de fezes de 220 chinchilas de uma criação comercial e 35 amostras de chinchilas da Reserva Nacional las Chinchillas e submetidas ao método de Faust e colaboradores. O total de amostras positivas para cistos de Giardia sp. foi de 36%, na criação comercial. Todas as amostras dos animais da Reserva foram negativas.
1 M.V., Membro do Council (Conselho Mundial de Chinchilas); Cabanha Chillacenter
2 M.V., Responsável pela Cabanha Chillacenter
3 M.M. MSc.,
4 M.V., MSc., Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias da UFRGS.
5 M.V., Dr., Prof. Chefe do Laboratório de Protozoologia da FAVET-UFRGS
INTRODUÇÃO:
A Chinchilla lanigera é um roedor que habitava antigamente uma grande extensão da cordilheira da costa do Chile entre 400 e 1500 metros sobre o nível do mar, em um clima que sofre variação de 0 a 30°C. O gênero Chinchilla, pertence a família Chinchillidae e possui duas espécies: C. lanigera e C. brevicaudata (NEVES, 1987; LINDEN, 1999).
Alguns historiadores relatam o interesse dos índios Chinchas, (provavelmente vem daí a origem do nome chinchila) por esses animais, utilizando a pele pra se abrigar, o pêlo para fazer tecelagens e carne como alimento. Após o domínio dos Chinchas pelos Incas, os dominados foram proibidos de usar a pele, que ficou vinculada a um símbolo de superioridade da realeza Inca. A Europa só conheceu a pele em 1524, quando os exploradores levaram peças indígenas de presente, por exemplo, à Rainha Isabel. A partir daí começa um extermínio que quase levou à extinção da espécie (ALEANDRI, 1998; LINDEN, 1999).
A primeira criação de chinchilas do mundo foi do americano Chapman (que trouxe para ou EUA, 12 exemplares do Chile em 1923) (ALEANDRI, 1998; LINDEN, 1999). Em condições de cativeiro esses animais foram melhorados através de processo de seleção genética criteriosa, com cruzamentos dirigidos, ao longo dos anos, sendo hoje bem diferentes dos poucos exemplares observados na natureza. As chinchilas nativas medem aproximadamente 26cm e chegam a apenas 350 gramas, enquanto as de cativeiro atingem até 30 cm e 600 gramas (NEVES 1987; LINDEN 1999).
Desde 1983 existe no Chile uma reserva, que protege a Chinchilla lanigera. É a Reserva Nacional Las Chinchillas, que está localizada a 15 km ao noroeste de Illapel no Vale do Choapa. A área tem uma extensão de 4.229 hectares e aproximadamente 6 mil chinchilas vivem neste habitat protegendo-se em cactos e em superfícies rochosas (CONAF, 2008).
As enfermidades de chinchilas de criação são decorrentes, principalmente, de erros dos próprios criadores, quanto à alimentação, fornecimento de água, higiene das gaiolas e instalações, ventilação, entre outros, aparecendo principalmente problemas bacterianos, fúngicos e parasitários. Dos problemas parasitários, são relatados na bibliografia, duas doenças causadas por protozoários: giardíase e tricomonose (ALEANDRI, 1998; LINDEN, 1999).
A Giardia sp. é um protozoário flagelado, que habita o intestino delgado de muitas espécies animais, incluindo o homem. Este protozoário apresenta duas formas: trofozoíto e cisto. O cisto é a forma de resistência nas fezes e no ambiente (NEVES, 2005). Esse protozoário normalmente não causa sinais clínicos para seu hospedeiro, porém, em determinadas situações pode multiplicar-se e adquirir virulência, causando quadros clínicos de diarréia aguda ou crônica e má-absorção intestinal (REY, 2002). Para chinchilas essas situações podem ser stress, alteração de manejo, mudanças na flora intestinal, ou outras doenças debilitantes. As fezes de uma chinchila adulta saudável são cilíndricas, com cerca de 1cm de comprimento por 3mm de diâmetro, com as extremidades arredondadas, consistência firme e de coloração castanho-escuro. A diarréia é observada pelas fezes amolecidas que ficam aderidas ao recipiente utilizado para o banho da chinchila, e pela falta de formato nas fezes encontradas na cama de maravalha. Como sinais clínicos no animal podemos observar, apatia, postura encurvada, olhar sem brilho, diminuição de peso, diarréia intermitente que pode ser com sangue ou muco. Também pode ocorrer, em casos em que a carga parasitária é alta, prolapso de reto e intestino, mas principalmente em animais jovens. (LINDEN 1999).
MATERIAL E MÉTODOS:
Os animais utilizados foram chinchilas de uma criação comercial, do município de Viamão, no estado do Rio Grande do Sul e da Reserva de las Chinchilas, IV Region (Region de Coquimbo), Chile, com permissão da Corporation Nacional Foresta (CONAF), Unidad de Gestion Patrimonio Silvestre, IV Region.
Na criação comercial, foram colhidas fezes de 220 chinchilas (110 adultos e 110 filhotes), para diagnóstico de Giardia sp. O período foi de maio de 2006 a maio de 2007. As fezes foram rapidamente levadas ao laboratório e mantidas em refrigeração até a realização da técnica diagnóstica, no mesmo dia da coleta. Na reserva foram colhidas 35 amostras de fezes de chinchilas diretamente de seu habitat, durante 5 dias, no período de 26 a 30 de maio de 2007. Os exames foram realizados na sede da reserva.
O método parasitológico de fezes foi o de Faust e colaboradores. O diagnóstico positivo foi baseado na presença de cistos de Giardia sp. que foram também quantificados (cisto/campo) com uso da objetiva de 20x em microscópio óptico.
RESULTADOS E DISCUSSÃO:
A chinchila quando está saudável possui uma relação de 1-2 cistos por campo. Quando ela possui mais de 5 cistos/campo, está com a doença clínica (giardíase). A chinchila debilitada por Giardia sp. fica mais suscetível a infecções que podem levá-la a morte (ALEANDRI, 1998; LINDEN, 1999).
Do total de amostras do criatório comercial analisadas (gráfico 1), 64% (140/220) foram negativas, sendo que do total de adultos 64% (71/ 110 ) foram negativos e dos filhotes 63% (69/110). O total de chinchilas positivas para cistos de Giardia sp. foi 36% (80/220), sendo que o total de adultos positivos foi 36% (39/110) e de filhotes 37% (41/110). Utilizando o Teste Qui-quadadro não houve uma associação significativa entre a faixa etária e o resultado do exame de Faust & colaboradores (p=0,8885).
Das amostras do criatório comercial apenas 8 chinchilas apresentaram mais de 5 cistos/campo, ficando a maioria entre: menos de 1 até 3 cistos/campo. Vários livros relatam a presença deste protozoário em chinchila, porém um único trabalho sobre positividade foi encontrado, com 8% de positividade em 250 chinchilas pesquisadas, pelo mesmo método aqui utilizado (GURGEL, SARTORI; ARAUJO, 2005).
Das amostras da Reserva nenhuma amostra foi positiva para cistos de Giardia sp. A negatividade detectada nesses animais sugere que, em estado silvestre, eles não são parasitados por este protozoário. Isso talvez se deva às condições climáticas da região. O que indica que possivelmente a Giardia não faça parte da flora natural da Chinchila, como até hoje a literatura indicava.
Por outro lado, a positividade detectada em animais mantidos em cativeiros pode ser explicada pelo fato de muitos animais estarem agrupados numa ambiente restrito, o que facilitaria a dispersão das formas infectantes do protozoário.
CONCLUSÃO:
As chinchilas desta criação comercial, apresentam Giardia sp., na maioria, em quantidades de cisto/campo que não causam a doença clínica, com exceção de 8 adultos que apresentavam mais de 5 cistos/campo. Não foi encontrada a presença do protozoário nas chinchilas analisadas no seu habitat natural.
RESUMEN
La Chinchilla lanigera es un roedor del Chile e su criación, con fines comerciales, empezó en los Estados Unidos. Desde la década de 80 hay un Reserva, en el Chile, que protege la Chinchila lanigera. Fueron colhidas muestras de feces de 220 chinchilas de un criadero comercial y 35 muestras de chinchilas de la Reserva Nacionale de las Chinchillas y fueron analizadas pelo método de Faust y colaboradores. El total de muestras positivas para quistos de Giardia sp. fue 36%, en el criadero comercial. Todas las muestras de los animales de la Reserva fueran negativas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALEANDRI, F. Cría y comercialização de la Chinchila - Compendio actualizado. Buenos Aires: Impresso en la Republica Argentina, 1998. 422p.
CONAF: Corporación Nacional Forestal. Gobierno de Chile. Reservas Nacionales. http://www.conaf.cl/. Acessado em 10 de janeiro de 2008.
GURGEL, A.C.F.; SARTORI, A.S.; ARAUJO, F.A.P. Protozoan parasites in captive chinchillas (Chinchilla lanigera) raised in the State of Rio Grande do Sul, Brazil. Chile: Parasitologia Latinoamericana. v. 60, n. 3-4, 2005.
LINDEN, A.R. Criação comercial de chinchilas. 1 ed. Guaiba: Livraria e Editora Agropecuária, 1999. 200p.
NEVES, D.M. Criação caseira da chinchila e seu melhoramento genético. 2ed. São Paulo: Nobel, 1989. 144p.
REY, L. Bases da Parasitologia Médica. 2ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. 379p.

Gráfico 1: Presença de Giardia sp. nas chinchilas adultos e filhotes da criação comercial.
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